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O movimento homossexual brasileiro¹ começou a dar seus primeiros passos na década de 1950 e 1960, com muita repressão e perseguição policial. Em 1970 os homossexuais brasileiros ainda estavam reclusos nos guetos e, somente no final da década, começa-se a se observar um movimento contrário de resistência. No ano de 1977 o advogado e ativista João Antônio de Souza Mascarenhas cria o “Grupo Homossexual Triângulo Rosa”. No mesmo ano, o gaúcho radicado no Rio de Janeiro recebe a visita do norte-americano Winston Leyland, editor da revista Gay Sunshine. A ideia era colaborar com o estadunidense levando a perspectiva brasileira, que começava a emergir nessa época, para a publicação norte-americana.

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O ano de 1978 marca o nascimento do principal jornal abertamente dedicado às causas LGBT no Brasil. Em meio à ditadura militar e à emergência da imprensa alternativa nacional,  João Mascarenhas cria, conjuntamente com outros intelectuais e ativistas sociais, como Darcy Penteado, Aguinaldo Silva e João Silvério Trevisan, o jornal “O Lampião da Esquina” (figura 1).

Ao todo, onze intelectuais e ativistas se reuniram e criaram o jornal para dar voz à uma comunidade que não possuía, àquela época, espaço nos veículos tradicionais. Em três anos de circulação, O Lampião teve 38 edições², contando com a edição de número zero. Foi um marco da imprensa alternativa brasileira e é tido por muitos como o ponto de partida para a luta por direitos civis para os homossexuais no Brasil.

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A importância do Lampião se deu exatamente ao ser o contraponto em relação à própria imprensa alternativa da época, como o “Pasquim”; seu sucesso se deu sobretudo por desvelar temas que até hoje são tabus, como a violência homofóbica, o aborto e a prostituição. A sexualidade (obviamente) também era abordada no jornal sendo retratada em tirinhas e em ensaios sensuais.

É importante destacar que existiram outras iniciativas parecidas, como o jornal gay “Snob”, criado em 1961. No entanto, o grande triunfo d’O Lampião foi retirar os homossexuais dos guetos e instigá-los numa luta mais institucionalizada. Em três anos de circulação, com tiragem média de 15 mil exemplares por edição, o jornal incentivou a criação de grupos organizados, como o “Somos”, de São Paulo.

O tabloide contava com editorias fixas como “Esquina”, que reunia notícias, “Reportagem”, que sempre trazia a matéria de capa e “Cartas na Mesa”, dedicada a receber e responder mensagens dos leitores. Sempre com tom ácido e regado à sátira, O Lampião encerrou sua circulação em 1981 deixando uma lacuna na imprensa alternativa que persiste até hoje.

O ímpeto e o vanguardismo d’O Lampião da Esquina foram, e ainda são, inspiração para criar este trabalho de conclusão de curso que rememora, de forma despretensiosa, os 40 anos da publicação. Viva O Lampião!