Presidente da EBC faz comentários racistas sobre fala de Taís Araújo

Atualizado: 9 de Jun de 2019


Discurso racista e ofensivo de Laerte Rímoli apenas refuta o pensamento governista

Em tempos de completa intolerância em que cada vez é possível observar a propagação de discursos de ódio, a atitude de Laerte Rímoli, atual presidente da Empresa Brasil de Comunicação é inadmissível.

Tudo começou com o convite do projeto TEDx de São Paulo que convidou a atriz Taís Araújo para dar uma palestra com o tema “Como criar crianças doces em um país ácido”, em que Taís falou sobre as dificuldades de se criar um filho (a) negro (a) no Brasil devido ao racismo ainda presente na nossa sociedade. Assista ao vídeo:


A fala da atriz que gerou toda polêmica foi: “Quando engravidei do meu filho, eu fiquei muito, mas muito aliviada de saber que no meu ventre tinha um homem. Porque eu tinha a certeza de que ele estaria livre de passar por situações vivenciadas por nós, mulheres. Teoricamente, ele está livre, certo? Errado. Errado porque meu filho é um menino negro e liberdade é um direito que ele não vai poder usufruir se ele andar pelas ruas descalço, sem camisa, sujo, saindo da aula de futebol. Ele corre o risco de ser apontado como um infrator - mesmo com seis anos de idade” e Taís Araújo completou dizendo: “No Brasil, a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada, escondam suas bolsas e que blindem seus carros”.


Após essas declarações, surgiram vários memes à favor e contra a fala de Taís Araújo. No entanto, o compartilhamento de memes racistas por parte de Laerte Rímoli, presidente da EBC, foi o que gerou maior repercussão.

Para começo de história é importante lembrar que Laerte foi escolhido como presidente da EBC pelo governo Michel Temer, que afastou o antigo presidente, Ricardo Melo, em plena execução do seu mandato, apenas pelo fato de Ricardo ter sido escolhido pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Outro passo de Michel Temer foi a medida provisória 744/2016 que destituiu o conselho curador da EBC, principal local de diálogo entre sociedade e emissoras públicas de radiodifusão e passou a autorizar o presidente de demitir o presidente da Empresa Brasil de Comunicação, o que em outras palavras representou as vontades de Michel Temer em transformar a comunicação pública em comunicação governista.

Voltando às atitudes de Laerte Rímoli, o Manual da EBC de 2013 destaca pluralidade de vozes, diversidade cultural, social e de gêneros, promoção de cidadania e respeito às diferenças como pilares da comunicação pública no Brasil, na busca por um espaço de representação para a população brasileira. Entretanto o compartilhamento de memes racistas apenas reforça o sucateamento das emissoras de caráter público e o governo impopulista praticado por Michel Temer.

Mas para além do descumprimento do Manual de Jornalismo da EBC, Laerte Rímoli vai na contramão de tudo aquilo que é papel das emissoras de radiodifusão públicas, cometendo um ato passível de punição judicial, já que além de ofender Taís Araújo e a população negra, que engloba todo cidadão brasileiro, Laerte reforça discursos de ódio reproduzidos por uma sociedade que tem se mostrado cada dia mais preconceituosa, muitas das vezes se escondendo atrás de memes e da internet.

Vale lembrar que esse triste episódio ocorre um momento em que William Waack acaba de ser afastado do Jornal da Globo por ter um áudio vazado em que compara o barulho das buzinas à “coisa de preto”, e principalmente próximo ao dia 20 de novembro, Dia nacional da Consciência Negra, que remonta o sofrimento da população negra que foi escravizada desde a colonização brasileira, e que sofre até hoje com essa condição de desigualdade social e cultural.

Laerte não ofende apenas à atriz Taís Araújo e ao seu filho, mas ofende a toda a população negra que dia após dia tem lutado pelo fim do racismo e dos estereótipos propagados, e também ofende toda sociedade brasileira, que mesmo não sendo da cor negra, possui sangue negro.

Em momentos de intolerância de todos os tipos, cabe a nós lutarmos para que o combate ao preconceito seja uma prática da sociedade, não deixando mais que estereótipos sejam propagados, e muito menos que figuras que de alguma forma são representantes da sociedade brasileira, seja por meio de votos ou por indicação do governo, propaguem discursos de ódio e preconceituosos.

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