A economia importa mais que os direitos humanos?

Por Hugo França


Sabemos que os direitos humanos, em determinados veículos são tratados de forma pejorativa e secundária, mas diante de todos os acontecimentos que vem ocorrendo no país desde o início do ano vem sendo abafados por contas de assuntos de interesse econômico.


A grande preocupação dos grandes veículos tem sido reportar assuntos como pesquisa de taxa de desemprego no país, crescimento da economia e com mais intensidade a reforma da previdência proposta pelo atual presidente da república Jair Messias Bolsonaro.


Não é de interesse de o texto discutir a importância dos assuntos econômicos que rodeiam o país e sim provocar uma reflexão a cerca dos últimos acontecimentos relacionados à violência, que por maneira direta, esbarram em assuntos ligados aos direitos humanos.


Observando as coberturas das últimas edições de telejornais com grande audiência e nota-se que o assunto “Reforma da Previdência” tomou conta de grande parte do tempo das informações.


Podemos usar como um exemplo para ilustrar esse quadro à morte do músico Evaldo dos Santos Rosa, que foi alvo de pelo menos 80 tiros disparados por engano por soldados do Exército.


Podemos chamar de simples a cobertura dos telejornais sobre a tragédia ocorrida. As manchetes e matérias feitas pelos veículos não duraram nem mesmo uma semana. E mesmo as coberturas que houveram pouco se discutiram ou ao menos deu um gancho para que o telespectador pudesse chegar a uma reflexão sobre os direitos da família da vítima, o absurdo que é propagar o discursos de “disparos por engano”, sobre questões raciais e do amparo que essas vítimas deviam receber.


O assunto foi tratado apenas como mais caso de violência e a TV não se deu ao menos o trabalho de provocar a reflexão das questões raciais e sociais que uma tragédia como essa perpassa. O mesmo aconteceu com o caso do empresário que foi agredido por policiais militares dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal em Salvador, na Bahia. O caso também houve tratamento como apenas mais um caso de violência pelos telejornais. É de claro e óbvio entendimento de que economia é um assunto de interesse máximo da população, pois é o que o movimenta a vida do cidadão.


Então, qual será que o papel da imprensa e principalmente de telejornais de horário nobre seja apenas tratar notícias de grande impacto social com pouca importância ou esclarecer aos telespectadores que questões de direitos humanos como preconceito racial, social e morte de inocentes apenas por uma simples tonalidade de pele sejam menos do que a nova previdência?

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