A reportagem do Fantástico sobre os gastos da UFRJ

Por Ana Schuchter


Respondendo à repercussão e à visibilidade , nas redes sociais e veículos independentes, que as mobilizações contra o corte orçamentário de 30% das universidades federais do país pelo Ministério da Educação (MEC) tiveram, a edição do Fantástico do dia 19 de Maio trouxe uma reportagem sobre o quanto custa para manter ‘’a maior universidade do Brasil’’, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A opção pelo formato, tempo e abordagem da reportagem se mantém dentro do perfil da Emissora Globo e, portanto, do programa do Fantástico: curta e homogênea em termos de vozes, traz em cerca de 10 minutos um panorama geral do anúncio do corte de verbas; os protestos pelo direito à educação e contra o sucateamento das instituições públicas e a situação econômica e de aplicação de dinheiro na UFRJ. Além disso, mostra falas de especialistas, representantes da instituição pública e de alguns políticos.



Estudantes foram às ruas no dia 15 de Maio conta o corte da educação


Ainda que a intenção e cumprimento do dever social do Jornalismo tenha sido a de tornar público uma questão que diz respeito a toda população brasileira- a educação- a matéria pouco discute a questão dos cortes, não apresentando posicionamentos a favor e contra, e acaba tendo um enfoque somente nos gastos da universidade.

Assim, a pergunta inicial ‘’o que estará em perigo caso a medida não seja revista?’’ da apresentadora Poliana Abritta não é respondida de forma completa e se perde em meios a trechos de outras entrevistas do Abraham Weintraub, Ministro da Educação, discursos do presidente Jair Bolsonaro sobre os estudantes que seriam ‘’idiotas úteis e massa de manobra’’ e análise de dados das verbas do MEC.


A reportagem traz conversas apenas com alunos da àrea de pesquisa da instituição e parece não dar importância e voz a estudantes dos cursos de ciências humanas ou de outros eixos, como o Movimento Estudantil, um dos atores sociais das mobilizações que aconteceram em 200 localidades do país. Da mesma forma, não enfatiza a importância da educação para a sociedade através de professores por exemplo e não apresentam possíveis questionamentos da política do Estado de investimentos em determinados setores e enxugamento em outros.


Um tanto distante de servir como um espaço de reflexão e de exposição de olhares e posicionamentos diversos, a reportagem acaba por ser uma mera reprodução de fatos. A mensagem final do repórter Ernesto Paglia parece ter sido o que orientou a produção da matéria,demonstrado ainda uma certa falta de entendimento da complexidade do projeto político falho para a educação brasileira : ‘’ uma decisão rápida e sem conflitos é o que todos esperam’’.É assim de forma rápida e sem conflitos, que a reportagem deixa de lutar por uma educação e por um jornalismo que nos emancipe.

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