Jornalismo acessível é tema de debate no Ciclo de Estudos em Jornalismo e Audiovisual



Em sua terceira edição, realizada nessa quinta-feira, 24, o Ciclo de Estudos em Jornalismo e Audiovisual recebeu a jornalista e doutora em Comunicação pela UFRJ, Kelly Scoralick, para debater a inclusão da Pessoa com Deficiência (PCD) nas narrativas audiovisuais.

Ter aulas com um professor cego despertou em Kelly o interesse pelo tema e fez com que ela voltasse seu olhar e suas pesquisas para a relação entre o jornalismo e temas como acessibilidade, inclusão e cidadania.

No bate papo, que inclui uma exposição inicial do tema seguida de entrevista, a pesquisadora destacou a ausência de produções televisivas que sejam feitas pensando nessa parcela da população. “Enquanto a gente tiver uma comunicação que é deficiente, a gente está excluindo. É preciso repensar o telejornalismo que fazemos. Pensar no outro com os mesmos direitos que a gente é pensar na diversidade humana”, ressaltou, chamando atenção para a necessidade de tornar as práticas jornalísticas mais acessíveis a todos.

Especialista em Audiodescrição (2015) e Mídia e Deficiência pela UFJF (2004), Kelly também apontou algumas ferramentas de inclusão que podem ser utilizadas pelo telejornalismo. Entrevistada pelo jornalista Flávio Lins, professor da Facom-UFJF, ela abordou as possibilidades de legendagem, interpretação na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e audiodescrição.

Sobre a última, a jornalista trouxe à tona algumas das dificuldades de implantação no telejornalismo, como as limitações de tempo e o desafio de evitar a sobreposição entre o áudio original da notícia/reportagem e o áudio do recurso. “Quanto mais o texto do repórter puder contribuir para a inclusão da pessoa com deficiência no consumo da narrativa, menos teremos que fazer uso da audiodescrição”, defende.

Além de abordar as dificuldades de consumo das narrativas audiovisuais pelas pessoas com deficiência, Kelly também questionou como o jornalismo vem inserindo as PCDs nos conteúdos produzidos, bem como a necessidade de evitar o uso de alguns termos que podem soar pejorativos ou estar em desuso.

Também professora de ensino superior, ressaltou a importância da academia como um espaço para se questionar e repensar a produção telejornalística.

Outras vozes e experiências

A gerente do Departamento de Políticas para a Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos (DPCDH) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), Thaís Altomar, esteve presente no evento. Formada em jornalismo, Thaís é cadeirante e enfrentou dificuldades ao ingressar no mercado de trabalho. “Me mudei para Natal, onde fui trabalhar em um telejornal. Como a bancada era alta, era preciso usar vários livros para que eu ficasse na altura da mesma”, lembra.

A jornalista ainda ressaltou a importância dos veículos de comunicação na divulgação de demandas das PCDs. Para ela é importante que os profissionais da notícia estejam atentos para garantir o consumo dos conteúdos jornalísticos por todos e a inserção das pessoas com deficiência nas narrativas. “É muito importante que a gente veja a pessoa com deficiência como protagonista de sua história e não apenas como personagem. Então, para qualquer atuação dentro do jornalismo, dentro das mídias, é extremamente importante ver as pessoas com deficiência como um todo, participando como um todo”, concluiu.

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