Quando a representatividade incomoda

Por Clara Xisto


Manequim plus size da Nike gera debate sobre gordofobia


A marca Nike, com o intuito de “celebrar a diversidade do esporte” optou por inserir, em algumas de suas lojas em Londres, manequins plus size visando “não celebrar apenas atletas de elite em seu conteúdo visual, mas também mostrar manequins plus size e para-esportistas pela primeira vez em um espaço físico de varejo”.


A decisão da marca causou certo incômodo à jornalista Tanya Gold, do jornal britânico “The Telegraph”, que teceu críticas à decisão da Nike e virou pauta do jornal O Globo, no dia 14 de junho de 2019. A jornalista afirmou que a empresa estaria incentivando a obesidade e vender às mulheres e também que “se preocupa ao ver a Nike, que promove o atletismo, tratar um manequim obeso como potencialmente saudável.”



A matéria do jornal o Globo recorreu à repper, modelo plus size e historiadora Preta Rara, que possui ideia contrária à de Tanya e explica que o intuito da inserção do manequim não é de vender a obesidade, mas sim de trazer visibilidade àqueles que antes não se viam representados por grandes marcas, ideia reafirmada por Débora Ambrósia e Tássia Marcondes, que também critica a associação direta do corpo gordo à problemas de saúde, como fez a jornalista do The Telegrph.


Além das modelos, a nutricionista Bia Rique declara que as afirmações de Tanya “refletem preconceitos”. Ela explica que, mesmo a obesidade aumentando a probabilidade do desenvolvimento de doenças crônicas, não se pode generalizar, pois a saúde dos indivíduos não depende apenas de suas decisões individuais. A nutricionista se mostra favorável à inserção dos manequins plus size, “por mostrar a diversidade de corpos para que todos se sintam aceitos”.


Termos como “acima do peso” são utilizados na matéria do O Globo, que se inicia questionando se a atitude da jornalista do The Telegraph teria realmente sido gordofóbica, quando suas fontes já teriam mostrado que sim, o que mostra que talvez não estivesse claro o grau ofensivo ao qual Tanya emprega ao caso

Apesar disso, há uma preocupação do jornal em apresentar tanto os pontos de vistas de mulheres que são atingidas pelos argumentos de Tanya, além de apresentar o ponto de vista de uma nutricionista, que reafirma as ideias das modelos e demonstra a necessidade de representação deste público.


A matéria também apresenta um link sobre um caso, também ambientado no mundo da moda, em que a marca Loja Três teria sido acusada de gordofobia e assédio moral por seus colaboradores, demonstrando que a jornalista não é a única a compartilhar de tais ideias.


No Brasil o tema “gordofobia” não é tão debatido, tanto que ela está presente no dia a dia de 92% dos brasileiros e ainda é propagada por grandes influenciadores de mídia, como é o caso do apresentador Danilo Gentili, que já fez inúmeras declarações gordofóbicas em seu twitter, que nem sempre ganham repercussão por ainda não ser algo que cause tanto estranhamento.


Influenciadores brasileiros, como são os casos de Alexandra Gurgél, Bernardo Boëchat, Caio Cal, entre outros, tratam de gordofobia, mas também trazem representatividade para o público gordo, com as hashtags #CorpoLivre e #BodyPositive.

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